PNUD ANGOLA/Paulo Alcocer

“Eu vendia tomate no período da manhã, no mercado do Mutondo, para ajudar a minha família, e à tarde ia para a escola”, contou Cecília Augusto, de 25 anos. Ela viu-se obrigada a falar mais alto do que o normal porque na sala só se ouvia o barulho de máquinas de costura e pessoas a conversarem alegremente. É que agora Cecília está a fazer um estágio profissional em corte e costura, após ter terminado uma formação no Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFOP) da província da Huíla.

Apesar de estar já no 2.º ano da faculdade do curso de Geologia, Cecília sentiu “que não era suficiente ter uma formação académica, sem o auxílio de uma formação profissional”, então procurou o INEFOP. Lá, foi uma dos 50 jovens seleccionados para realizar um estágio profissional, no âmbito do projecto “Saber Fazer”, apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

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“Escolhi corte e costura e até agora estou a adorar”, explicou a jovem. Assim “é mais fácil eu me empregar a mim mesma do que esperar concursos públicos ou uma outra profissão”.

O projecto “Saber Fazer” visa contribuir para a profissionalização e o empreendedorismo nas comunidades locais, para potenciar o desenvolvimento local e combater o alto desemprego entre os jovens.

Foi uma experiência pioneira no país, que o PNUD quer repetir em breve, para dar mais oportunidades aos jovens angolanos.

Roupas, calçado, mochilas, acessórios e até decoração. “A melhor parte é que nós criamos e aprendemos todos os dias e temos amor ao trabalho”, contou Cecília. “A partir destas práticas consigo criar o meu próprio negócio”.

Os jovens constituem a maioria da população Angolana e são dos mais afectados pelo desemprego. Segundo o Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a taxa de desemprego das pessoas entre os 15 e os 24 anos foi 57,8% no I trimestre de 2020. Ou seja, um em cada dois jovens angolanos está desempregado.

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Félix Celestino estava nesta situação, até ter escolhido fazer uma formação e ter acabado num dos estágios profissionais do projecto “Saber Fazer”. Escolheu o curso de serralharia de construção civil, porque sempre gostou de “criar novas peças” e está completamente à vontade entre as máquinas.

Ali tem aprendido a fazer janelas, grades, portas e portões, mas a imaginação de Félix vai mais além. “Com a serralharia eu posso formar tudo o que me vier à cabeça. É só usar a imaginação e pôr em prática”, contou o jovem. “É necessário o uso da inteligência para formar essas peças. Ver os cálculos e os ângulos”, continuou.

Para Félix, o futuro já está quase certo. Durante o estágio, está a poupar dinheiro e a “fazer economias para depois montar a sua própria serralharia, com outros jovens e amigos. “Até já pensei no nome”, contou, a sorrir. “Vai ser Serralharia Novo Mundo”.

No estágio profissional os formandos têm uma relação próxima com os formadores e abertura para tirar qualquer dúvida. Os jovens gostam do ambiente e dizem estar mais preparados para o mercado de trabalho.

“Aprendi como se forma um trabalhador e a ser um profissional”, contou Félix. “Também aprendi a ser pontual, respeitosa, humilde, a ter criatividade e foco no que se está a fazer", acrescentou Cecília. 

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Para Lukeba Xavier, de 22 anos, a melhor parte do estágio profissional é “pôr em prática toda a teoria”. Ele escolheu mecânica e está a adorar “montar e desmontar motores, caixas de velocidades, transmissão de forças e a aprender a detectar as avarias dos carros”.

O jovem saiu de Cabinda para a Huíla para fazer a formação no INEFOP e, agora no estágio profissional, diz que “vale a pena estar tão longe de casa”.

Em Cabinda, trabalhava na cantina do pai, mas “dei conta que o comércio não era a minha área e que preferia mecânica”. Quando terminar o estágio, gostaria de voltar para casa e “abrir uma oficina, para empregar mais jovens que neste momento não têm nada para fazer”.

“Se todos os jovens passassem por um estágio profissional seria ótimo”, acrescentou Lukeba, no meio da oficina onde se sente tão confortável. “Eles fazem cursos e depois não têm para onde ir, ficam só em casa”.

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Mariana Catumbela é da mesma opinião. Aos 24 anos, escolheu fazer o estágio profissional de corte e costura porque já sabia fazer algumas coisinhas. “O meu avô foi costureiro então eu já gostava muito de costura”, explicou.

Antes também trabalhava na cantina da família de manhã e à tarde ia para para a escola. Está ainda a terminar a 11ª classe, mas agora só pensa em cumprir o seu “sonho de abrir um atelier”.

“Agora vou fazer o que sei fazer”, disse Mariana, e “tentar dar emprego a outros”. A jovem sabe que primeiro terá de acabar a 12.ª classe, mas diz que já se sente uma autêntica profissional e que está pronta para o futuro. 

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