O mapeamento de soluções concentra-se em encontrar respostas, em vez de se focar nos problemas

O mapeamento de soluções é crucial no contexto da Rede de Laboratórios de Aceleração como um processo pelo qual os problemas e necessidades podem ser discutidos, conceitos e conhecimento podem ser partilhados e testados para um bem comum, e isso não é uma excepção para o nosso Laboratório de Acceleração cá em Angola. O mapeamento de soluções também é uma forma de dar aos pensadores a oportunidade de partilharem suas criações com uma rede mais ampla de inovadores que podem ajudar a melhorar as suas criações através de discussões ou influenciar potenciais consumidores dos produtos que desenvolvem. De acordo com o professor Anil Gupta, da Honey-Bee Network, “para resolver problemas, os mapeadores de soluções devem aplicar a técnica dos 3 “Is”, que significam Inspirador, Interessante e Intrigante”.

As missões de safári de soluções que realizámos até agora não só nos deram a oportunidade de aprender muito sobre o que está a acontecer em diferentes cantos do país, mas também reforçaram o que já sabíamos sobre criações inovadoras: elas nascem da necessidade de abordar os problemas comuns das pessoas.

A primeira  missão de safari de soluções em que participei foi no sul de Angola, e um dos primeiros locais que visitámos foi um mercado informal que carecia de quase todos os serviços serviços básicos. Então, rapidamente descobrimos que vários jovens usaram a falta de energia eléctrica no mercado como uma oportunidade de negócio e comercializavam eletricidade fornecida por pequenos geradores. Os jovens montaram várias tomadas em placas de madeira para dar às pessoas acesso à energia para carregarem os seus telemóveis, tocar música e manter os televisores ligados. Lembro-me de que, após uma breve conversa com um dos rapazes por trás dessa iniciativa, para entender o negócio, a Judite disse-me que isso poderia ser um bom exemplo de uma solução simples, mas interessante, que vale a pena documentar. É desnecessário dizer que as soluções geralmente são reflexos dos tipos de problemas que uma comunidade enfrenta. Em outras palavras, as soluções são desenvolvidas para resolver os problemas actuais.

Foto 1: Tomadas de energia improvisadas para vender electricidade no Mercado Mutundo, Lubango, Photo: ©AccLab AO/UNDP AO

 

Soluções de mapeamento em tempos de COVID 19

Pouco depois de registados os primeiros casos de COVID 19 no país, as autoridades promulgaram o Decreto Presidencial 81/2020, de 25 de março de 2020, declarando estado de emergência, tanto para prevenir quanto para combater a propagação da pandemia, levando o país a entrar em um bloqueio total. Como todos os outros no escritório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a equipa do AccLab foi forçada a trabalhar a partir de casa. Bem, soluções de teletrabalho e mapeamento dificilmente andam juntas pois, enquanto uma atividade envolve deixar a secretária e ver as pessoas usando a sua imaginação para criar uma miríade de soluções inovadoras, a outra confina-te num local fechado para operar virtualmente, o que é exatamente o oposto do que deve ser o mapeamento de soluções. No entanto, após algumas semanas da realidade incômoda do teletrabalho, as conexões virtuais se tornaram a norma e o mapeamento de soluções online nasceu, ou pelo menos se tornou a única forma de saber o que estava a acontecer no que dizia respeito a criações inovadoras.

Apesar do já conhecido impacto negativo da COVID 19 em todos os sectores, não sendo a comunidade acadêmica uma excepção, ficamos satisfeitos por saber que algumas instituições acadêmicas, bem como empresários, reagiram à pandemia produzindo materiais para ajudar a combatê-la. São os casos do Instituto Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC, https://www.isptec.co.ao), que produzia álcool em gel antiséptico de glicerina, grande parte do qual doado a hospitais e centros de saúde de Luanda.

Por outro lado, a Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto (https://www.feuan.ao), em Luanda, produziu máscaras faciais. Na província do Huambo, o Instituto Superior Politécnico desenvolveu uma máquina de lavar as mãos com torneira que pode ser acionada com os pés, livrando o utilizador do risco de contaminação ao tocar na máquina com as mãos.

Na província de Benguela, a NIBBLE, uma pequena empresa privada, desenvolveu o que apelidou de NK 4, uma máquina que não só permitia aos utilizadores lavar as mãos através de uma torneira de água auto-activada, mas também media a temperatura corporal, desinfectava as suas roupas através de um spray químico, etc. Todas estas criações inovadoras foram lançadas meses após a crise do coronavírus e, dadas as circunstâncias do país, não poderia ter havido uma resposta melhor para ajudar a combater a doença. Se olharmos para o facto de os fundos que o Governo angolano aloca para a investigação científica ficarem aquém do que seria desejado, estas respostas inovadoras oportunas podem ser consideradas um grande feito.

Foto 2 : Álcool gel antiséptico produzido pelo ISPTEC. Foto: ©ISPTEC

 

Transtornos de mapear soluções no nosso contexto

Sair e conhecer criadores de diversas origens que estão a desenvolver diferentes soluções  inovadoras é um exercício desafiador por muitos motivos e citamos alguns deles:

·         Durante os contactos mapeamento de soluções pela equipa do Laboratório de Aceleração, temos de gerir as expectativas, porque muitas vezes os inventores assumem que o Laboratório de Aceleração do PNUD pode fornecer apoio financeiro para todas as soluções inovadoras que vemos;

·         Como estranhos, os inventores mostram-se sempre receosos em nos dar permissão para documentarmos o seu trabalho;

·         Maior parte dos criadores não tem plena consciência da importância de registar as suas invenções para salvaguardar a propriedade intelectual do seu trabalho. Isso não apenas os torna ainda mais relutantes em partilhar o seu trabalho, mas também pode ser uma fonte de problemas para o mapeador de soluções, se alguém usar sua ideia sem permissão, etc.

Apesar das limitações e dificuldades para mapear soluções, o espírito de aventura e o desejo de descobrir soluções inovadoras para problemas comuns continuam a levar-nos para novos caminhos e criações inovadoras estimulantes, que podem contribuir para a melhoria da vida das pessoas.

Foto 3: Empresa NK 4 NIBBLE, Benguela. Foto: ©AccLab AO/UNDP AO
Icon of SDG 09

PNUD PNUD no mundo

Você está em PNUD Angola 
Ir a PNUD Global

A

Afeganistão

Á

África do Sul

A

Albânia Angola Arábia Saudita Argélia Argentina Armênia Azerbaijão

B

Bahrein Bangladesh Barbados Belize Benim Bielorrússia Bolívia Bósnia e Herzegovina Botsuana Brasil Burkina Faso Burundi Butão

C

Cabo Verde Camarões Camboja Casaquistão Chade Chile China Chipre Colômbia Comores Costa do Marfim Costa Rica Cuba

D

Djibouti

E

Egito El Salvador Equador Eritréia Escritório do Pacífico Essuatíni Etiópia

F

Filipinas

G

Gabão Gâmbia Gana Geórgia Guatemala Guiana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial

H

Haiti Honduras

I

Iêmen Ilhas Maurício e Seychelles

Í

Índia

I

Indonésia Irã

J

Jamaica Jordânia

K

Kosovo Kuwait

L

Lesoto Líbano Libéria Líbia

M

Macedônia do Norte Madagascar Malásia Malauí Maldivas Mali Marrocos Mauritânia México Moçambique Moldova Mongólia Montenegro Myanmar

N

Namíbia Nepal Nicarágua Níger Nigéria

P

Panamá Papua Nova Guiné Paquistão Paraguai PDR do Laos Peru Programa de Assistência ao Povo Palestino

Q

Quênia Quirguistão

R

República Centro-Africana República Democrática do Congo República do Congo República do Iraque República Dominicana República Popular Democrática da Coreia Ruanda

S

Samoa (Escritório Multi-País) São Tomé e Príncipe Senegal Serra Leoa Sérvia Síria Somália Sri Lanka Sudão Sudão do Sul Suriname

T

Tailândia Tajiquistão Tanzânia Timor-Leste Togo Trinidad e Tobago Tucormenistão Tunísia Turquia

U

Ucrânia Uganda Uruguai Uzbequistão

V

Venezuela Vietnã

Z

Zâmbia Zimbábue