Angola apresenta primeiro relatório sobre Género

Aug 21, 2017

Luanda, 22 de Agosto de 2017 – Num evento presidido pela Ministra da Família e Promoção da Mulher, Filomena Delgado, acompanhada pela Secretária de Estado para Assistência Social, Maria da Luz de Sá Magalhães, e pelo Coordenador Residente e Representante Residente do PNUD em Angola, Paolo Balladelli, o País apresentou o primeiro Relatório de Género. Estiveram presentes como parceiros a Representante do FNUAP, o representante da UNICEF, membros do executivo, da Assembleia Nacional, do Corpo Diplomático acreditado no país e de outras entidades do Estado assim como das organizações da sociedade civil.

Este primeiro relatório sobre Género e respectivo Caderno Estatístico permitem identificar resultados da gestão do Ministério responsável desde 2013, disponibilizar informações estatísticas que retratam a situação das mulheres e homens em Angola assim como identificar desafios e acções prioritárias para continuar no caminho rumo a paridade entre homens e mulheres em Angola.

Como referiu Balladelli, existem ainda diferenças evitáveis que precisam ser consideradas no campo da educação, dos direitos humanos, económicos que devem ser urgentemente trabalhados por todas as forças do governo, da sociedade e com apoio de parceiros internacionais. O fosso entre homens e mulheres é agravado nas áreas rurais e nas famílias de escassa renda. Por exemplo, este relatório apresenta alguns dos resultados do recente Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (IIMS 2015-2016) do INE - Instituto Nacional de Estadística, que nos demonstram que nas áreas rurais 63% dos homens são alfabetizados em contra 25% das mulheres. É determinante trabalhar sobre a mulher e a rapariga rural para inverter a situação de desigualdade e criar condições de desenvolvimento económico através de investimentos e empreendedorismo familiar na agricultura, na pesca, em actividades artesanais, em ecoturismo, entre outras.

Refirmou o Funcionário da ONU sobre a necessidade identificada pelo Ministério da Família de construir um Observatório Nacional de Género para a produção e analise de informação sensível ao género.

 “Ainda enfrentamos dificuldades na monitorização e avaliação das estratégias para atingir esses resultados, porque precisamos de melhorar a produção de dados diferenciados por sexo e género, para identificar sistematicamente as diferenças no caminho da paridade de oportunidades entre homens e mulheres e assim poder atingir as metas to ODS 5 sobre género da Agenda 2030”.

“O empoderamento da mulher e da rapariga é uma condição necessária para que o país possa se desenvolver social e economicamente - rematou – é assim imprescindível aumentar significativamente os investimentos financeiros para a mulher, de modo a colmatar o fosso de género e reforçar o apoio às instituições no que respeita à igualdade de género”.

No final do evento a Ministra da Família e Promoção da Mulher realçou que o evento representa o primeiro passo importante para o fortalecimento da produção de dados estatísticos diferenciados que permitirão avaliar sistematicamente os avanços e progressos no domínio do género e empoderamento da mulher e da jovem rapariga. Acrescentou que o mesmo também representa o acto incansável do trabalho que tem sido desenvolvido desde o surgimento da Secretaria de Estado para Promoção da Mulher.

O evento foi igualmente marcado pela apresentação do Plano Nacional de Acção para a implementação da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das NU sobre Mulheres, Paz e Segurança, aprovado pelo Conselho de Ministros de Angola em Maio de 2017, e terminou com uma homenagem aos participantes no âmbito das suas intervenções nos diferentes sectores socioeconómicos em prol da promoção da igualdade de género.

Discurso do Coordenador Residente e Representante Residente do PNUD, Dr Paolo Balladelli, durante a apresentação do primeiro Relatório de Género em Angola

Acesse o primeiro relatório sobre Género  em Angola 2017