Angola aposta num país livre de minas rumo ao desenvolvimento sustentável

Jun 23, 2017

Luanda, 23 de Junho de 2017 – “A população angolana quer voltar para uma vida normal nas áreas rurais, contudo ainda há 1461 áreas no país com minas antipessoais” – declarou o Coordenador Residente da ONU e Representante Residente do PNUD em Angola, Paolo Balladelli na intervenção que efectuou na Conferência Nacional de Desminagem que aconteceu de 22 a 23 de Junho,  no Palácio da Justiça, da cidade de Luanda.

A Conferência, contou também com a presença do Ministro da Assistência e Reinserção Social (MINARS), Dr. Gonçalves Manuel Muandumba, e do Presidente da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH), General Santana André Pitra "Petroff, membros do Executivo, deputados, oficiais superiores das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional e representantes do corpo diplomático.

Paolo Balladelli,  confirmou a transcendência dos resultados atingidos pelo executivo, a CNIDAH e os parceiros engajados até hoje com 1600 territórios desminados em todo o pais, embora apelou ao governo angolano para incluir no próximo Plan de Desenvolvimento Nacional acções e orçamento do estado focados na desminagem. “Precisamos ainda de investir 295 milhões de dólares na desminagem e assim garantir até 2025 cumprir com os acordos internacionais de ‘certificar Angola livre de minas’

“O cumprimento de 12 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis  em Angola está relacionado com a Acção contra Minas  - frisou o alto funcionário da ONU. A diversificação económica que é um dos critérios principais da graduação do país da categoria de países menos desenvolvidos, também é ligada á desminagem uma vez que a produção agrícola só será possível se eliminarmos a presença das minas antipessoais em Angola”.

A União Europeia, o Reino Unido, os Estados Unidos, o Japão, a Suíça, a Noruega e a Itália apoiaram o País durante anos no grande trabalho de desminagem, acompanhada por entidades das Nações Unidas como PNUD, UNICEF e organizações no governamentais como Halo-Trust, MAG, NPA.

Balladelli sublinhou ainda que “Em muitos territórios de Angola não é seguro cultivar campos, caminhar nas estradas, viver nas aldeias, ir as escolas o aos centros de saúde. Cultivar a terra ou buscar água representam o perigo de mutilação e a vida de crianças, mulheres e homens quando as crianças constituem quase a metade dessas vítimas. É por isso que precisamos de juntar os esforços de todos os parceiros nacionais e internacionais nesta nobre causa de tornar Angola livre de minas terrestres”.

Nota Técnica

No plano para o período de 2018-2025, a CNIDAH e a CED solicitaram o apoio continuado do governo nacional e dos parceiros internacionais para financiar integralmente as actividades de Acção contra Minas planeadas pelos operadores que rondam cerca de 295 milhões de dólares para limpar 1461 áreas identificadas com minas antipessoais.

Recorde-se que nos anos 2012-2016, Angola desminou 23,810,940 metros quadrados e 717.3 quilómetros de estradas em todo o território nacional, contribuindo para a proteção de civis nos termos do artigo 5 da Convenção de Ottawa. No mesmo período, registrou 361 novas vítimas de minas, incluindo 158 crianças. 

Discurso do Coordenador Residente da ONU e Representante Residente do PNUD em Angola, Dr. Paolo Balladelli