Angola: Jornadas alusivas ao Dia Mundial do Ambiente comemorado sob o lema “Conectando pessoas com a Natureza”

Jun 6, 2017

Luanda, 6 de Junho de 2017. Angola albergou com êxito em 2016 o Dia Mundial do Ambiente, sob o lema “Caça furtiva e a preservação da vida selvagem”, neste contexto e dando sequência ao engajamento do Executivo nas causas ambientias, com enfoque na protecção da biodiversidade e da natureza,  o Ministério do Ambiente (MINAMB), liderado pela Ministra Fátima Jardim, realizou uma série de actividades comemorativas de 3 a 6 de Junho do corrente.

O acto inicial teve lugar na cidade de Menongue, no Cuando Cubango, que culminou com a assinatura de um acordo de cooperação entre o MINAMB, através de Fátima Jardim, e a Associação dos Fiscais Africanos, através do seu Presidente, Chris Galliers. O referido acto contou com a presença do governador provincial do Cuando Cubango, Pedro Mutindi, o Coordenador Residente das Nações Unidas e Representante Residente do PNUD em Angola, Paolo Balladelli, altos Membros do Executivo, Representantes de Organizações Internacionais, entre outros convidados.

Pretende-se com a assinatura do acordo, uma oficialização do estatuto angolano dos fiscais nessa importante Federação Internacional. É também de se reconhecer o engajamento do Executivo Angolano, que até a data integrou 151 ex militares como fiscais de parques nacionais com a tarefa de proteger o país dos crimes ambientais, incluíndo a caça furtiva e contribuir para a gestão da riqueza da biodiversidade.

De realçar que, o segundo dia de comemoração da efeméride (4 de Junho), contou com a apresentação do Relatório Preliminar da Expedição da Bacia do Okavango, projecto internacional que está a ser implementado por Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe, que contou igualmente com a apresentação da experiência do sector durante a expedição, estudos e levantamento técnico/científico e a rodagem do filme do Okavango Angola.

Recorde-se que, no quadro do projecto Okavango-Zambeze, foi construída no Cuando Cubango a Escola Nacional de Formação de Fiscais Ambientais, inaugurada em Junho do ano passado, para reforçar a segurança dos parques de Mavinga-Luengue e de Luiana, onde a caça furtiva imperava com o abate indiscriminado de elefantes, rinocerontes e de outras espécies para fins comerciais.

O acto central das comemorações do Dia Mundial do Ambiente teve lugar ontem no Parque Nacional do Quiçama, presidida pela Ministra do Ambiente, Fátima Jardim, que contou com a presença de altos Membros do Executivo Angolano, Coordenador Residente das Nações Unidas, Paolo Balladelli, Director do PNUD em Angola, Henrik Fredborg Larsen, Corpo Diplomático e Cooperação Internacional, bem como parlamentares e outras autoridades, representantes da sociedade civil.

O Coordenador Residente da ONU pontualizou sobre a importância de se criar harmonia entre o homem e a natureza: “As Nações Unidas gostariam de felicitar o Ministério de Ambiente, os Ministérios que integram a Comissão Nacional e os seus parceiros pelos compromissos assumidos nos tratados internacionais que preservam o ambiente e a natureza. Este compromisso e os resultados atingidos  - sublinhou o funcionário da ONU - implicam importantes resultados na saúde, na nutrição, na gestão da água, no desenvolvimento económico, na coesão da sociedade angolana e fortalece a liderança do País no âmbito internacional”.

Durante a ocasião, constou da Agenda das actividades, a queima de peças de marfim apreendido, para testemunhar os avanços realizados pelo país na implementação da convenção CITES no combate contra a comercialização de espécies animais e vegetais em vias de extinção. Esta importante meta foi atingida depois de se ter encerrado o mercado de marfim em Luanda em 2016.

Para o último dia (6 de Junho), dando continuidade às jornadas alusivas, foi realizado um seminário que tratou temas do combate aos crimes ambientais e relacionados ao comércio, incluindo apresentação do relatório sobre o inventário do marfim e do relatório síntese sobre a perca da biodiversidade e impacto na preservação das espécies face a caça furtiva. No mesmo seminário foram debatidos os programas de engajamento regional de Angola para a preservação e conservação das espécies da fauna e da flora, incluindo apresentação do Projecto KAZA – componente ambiente, da Iniciativa Maiombe e da gestão das florestas.

 

Parceria do PNUD e MINAMB

No que se refere a preservação da biodiversidade, em parceria com o Ministério do Ambiente, o PNUD Angola está trabalhando na reabilitação dos Parques Nacionais do Iona, Quiçama, Bicuar, Cangandala-Luando e Maiombe. O PNUD Angola faz a gestão de USD 14.705.000 (Catorze milhões setecentos e cinco mil dólares americanos) destinados exclusivamente para reforçar a gestão dos parques através da promoção da sustentabilidade ecológica das espécies da fauna e flora de cada um destes parques.

Além disso, o PNUD Angola também faz a gestão de USD 4.620.000 (Quatro milhões e seiscentos e vinte mil dólares americanos) destinados para um projecto de alterações climáticas, “Promoção do carvão vegetal sustentável em Angola, através de uma abordagem da cadeia de valor”. Esse projecto, além de incentivar a introdução de tecnologias mais eficientes para a produção e consumo de carvão vegetal, também promoverá o uso mais eficiente e sustentável das florestas de Angola.

Essas actividades contribuem também directamente para o alcance dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), como por exemplo, energias renováveis (ODS 7), alterações climáticas (ODS 13), protecção e uso sustentável dos ecossistemas terrestres (ODS 15).

 

Testemunho de um fiscal ambiental

O Sr. José João do Espirito Santo, ex-combatente, morador da Comuna do Iona e actual fiscal do Parque, destaca que “os treinamentos que recebi do projecto foram importantes para aumentar o meu conhecimento sobre a conservação da natureza e para reconhecer plantas e traços, como pegadas, de animais”. Ele acrescenta que, os treinamentos têm igualmente fornecido práticas activas em segurança e defesa e oferecido ferramentas metodológicas para identificar e abordar um caçador.

O Sr. João relembra que “muitas espécies da fauna foram gravemente afectadas durante o período de guerra, mas com os esforços ao combate a caça furtiva e os trabalhos de conservação quem vêm sendo implementados no Parque Nacional do Iona este cenário tem mostrado significativa melhora. Aos poucos, animais selvagens já se aproximam dos postos de fiscalização e é possível avistar o aumento da população de Orix. Conclui ainda, que a conservação do Parque Nacional do Iona é importante para garantir o próprio bem-estar das comunidades locais”.

Foto: http://www.biodiversidade-angola.com