Assistência humanitária é prestada pelo Governo e Comunidade internacional aos refugiados da RDC em perigo de vida

May 12, 2017

Dundo, 12 de Maio de 2017 – O Coordenador da ONU, Paolo Balladelli, realizou uma visita de três dias a Dundo nos dois centros de acolhimento que receberam nestas últimas semanas mais de 20,000 refugiados congoleses no leste de Angola.

Esta deslocação teve como objectivo encontrar-se com o Governo Provincial de Lunda Norte, bem como a Comissão Intersectorial Provincial para inteirar-se da real situação e dos trabalhos realizados até então, tanto a nível humano como social, de modo a definir as prioridades urgentes, as necessidades bem como as capacidades de resposta e apoio do Sistema das Nações Unidas em Angola e da Comunidade Internacional.

“Em nome das Nações Unidas em Angola, quero expressar a nossa preocupação e a nossa solidariedade com os refugiados da República Democrática do Congo na Lunda Norte, que agora está a passar momentos muitos difíceis. Igualmente  aproveito a ocasião para expressar o nosso profundo reconhecimento ao Governo Angolano pelo trabalho realizado em termos de recepção e assistência humanitária para acolher as pessoas nas fronteiras, apesar da situação de crise económica que o país atravessa”. Assim iniciava o alto funcionário do Sistema das Nações Unidas em Angola, acompanhado pela ACNUR, MSF e JRS durante o encontro que teve com o Governador Provincial de Lunda- Norte, Ernesto Muangala e a Comissão Intersectorial da província.

Recorde-se que, em causa estão os conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na R.D. Congo, que desde meados de 2016 estão a afectar essa população vizinha e que Angola já recebeu cerca de 20.000 refugiados congoleses da região.

As Agências das Nações Unidas, sob a coordenação da ACNUR estão a apoiar o Governo angolano neste processo e nos dois centros de acolhimento dos refugiados com protecção, alimentos, água potável, assistência médica aos refugiados congoleses que relatam ataques de grupos de milícias, que estão a alvejar civis.

De salientar que os refugiados estão a chegar em condições desesperadas, apresentando ferimentos gravíssimos, amputações, violações, com relatos de dias escondidos na floresta sem acesso a água limpa, comida ou abrigo. A situação das crianças “é terrível”, e chegam a Angola, a vezes separadas dos familiares,  desnutridas e doentes, sofrendo de diarreia, febre, entre outras.

Destaca-se que, para além de ACNUR, UNICEF, PAM, UNFPA MSF, JRS que já se encontram no terreno, as Agências do UNFPA, FAO, OMS, PNUD e ONGS, estão a preparar planos de mitigação dos riscos e de apoio ao Governo na assistência das necessidades básicas para esta vaga de refugiados.