Conselho de Segurança analisa com Angola possível caminho de paz na RDC

Nov 14, 2016

Embaixador Ismael Martins, da Representação Permanente de Angola nas Nações Unidas em Nova Iorque, USA – Foto UNDP

 

Luanda, 14 de Novembro de 2016 – Uma Delegação do Conselho de Segurança da ONU, composta por Delegados dos seus 15 membros, 5 permanentes e 10 não permanentes visitou Angola nos dias 13 e 14 de Novembro, para analisar com o Governo Angolano os possíveis caminhos de paz para o pais vizinho da República Democrática de Congo (RDC).

A Delegação chegou domingo à noite a Luanda, proveniente de Kinshasa (RDC),  recebida no aeroporto pela Directora de Assuntos Multilaterais do MIREX, Margarida Izata e pelo Coordenador Residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli.  

Durante a missão, a Delegação, encabeçada pelo embaixador e representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Ismael Gaspar Martins e pelo Adjunto da França junto das Nações Unidas, Francois Delattre, integrada pelo Coordenador Residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, foi recebida, em audiência, pelo Vice-presidente da República, Manuel Domingos Vicente, além de se ter reunido com a Presidente em exercício da Assembleia Nacional (AN), Joana Lina, dois Vice-presidentes e a Terceira Comissão dos Assuntos Internacionais da AN, bem como o Corpo Diplomatico acreditado no país e o Grupo dos Representantes das Agências da ONU em Angola.

O objectivo da missão é dialogar com o Governo e encontrar uma solução sobre a situação da República Democrática do Congo (RDC), no âmbito da Diplomacia preventiva. A Delegação considera importante o papel de Angola, sendo o país um modelo para fortalecer a paz e com um papel importante na resolução do conflito na RDC.

A Delegação do Conselho de Segurança apoia a solução por via pacífica  entre o Governo da RDC e a oposição, e apela às partes a manter o diálogo e a negociação como meio para a  saída da crise política e pré-eleitoral, evitando a todo o custo a confrontação e a violência. Igualmente,  considera fundamental o respeito à Constituição de modo que as eleições sejam realizadas de forma livres, transparentes e credíveis.  

A RDC é um país cuja situação política preocupa a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), organização que Angola, na pessoa do seu presidente, José Eduardo dos Santos, assume a presidência deste 2014. Criada em 1994, após conflitos que se registaram na região, a CIRGL é constituída por Angola, Burundi, Zâmbia, República Democrática do Congo (RDC), República Centro Africana (RCA), República do Congo, Quénia, Uganda, Rwanda, Sudão do Sul, Sudão e Tanzânia.

Recorde-se que de 24-26 de Outubro do corrente, Luanda acolheu a 7ª reunião de Alto Nível do Mecanismo Regional de Supervisão do Acordo-Quadro para a Paz, Segurança e Cooperação na RDC e Região dos Grandes Lagos. Durante o referido evento,  ficou ciente que a paz e estabilidade na RDC devem ser preservadas, pois são cruciais para a paz e segurança regionais, nomeadamente na África Central, Região dos Grandes Lagos e na África Austral.

De salientar que, a confederação das igrejas congolesas solicitaram o apoio do Conselho de Segurança para que o Governo e a oposição encontrem soluções pacíficas para a crise política e se consiga a criação de consensos para as eleições previstas.

A Delegação entende que a crise política deve ser resolvida pela via diálogo e para evitar a todo custo a confrontação violenta que terá repercussões alarmantes ao nível do aumento de refugiados nos países vizinhos, incluindo Angola, que por ter uma fronteira muito ampla com a RDC poderá ter um grande número de refugiados vindos do país vizinho.

A Delegação  composta  por  representantes dos 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dos quais cinco permanentes e dez não permanentes deixa esta noite a cidade de Luanda, com destino a Nova Yorque, Estados Unidos da América.