Angola acolhe importante seminário internacional para reduzir desastres mediante políticas e planos estratégicos regionais e nacionais de qualidade

Apr 12, 2016

Luanda, 12 de Abril de 2016 - "Os esforços de desenvolvimento em África são cada vez mais postos em causa devido aos impactos devastadores dos desastres naturais, nomeadamente secas e inundações. As perdas económicas directas resultantes dos desastres, até à data neste século, estão estimadas em 2,5 trilhões de dólares a nível mundial. Só em 2014, mais de 6,8 milhões de africanos foram afectados directamente por um total de 114 desastres registados" frisou Paolo Balladelli Coordenador Residente das Nações Unidas em Angola, na cerimónia de abertura do Seminário de Iniciação Regional sobre Desenvolver a Resiliência a Desastres perante Perigos Naturais em Regiões, Países e Comunidades da África Subsaariana.

Este workshop financiado pela União Europeia decorreu esta manhã na Sala de Conferências do Hotel Trópico, presidido pela Sua Excelência, Secretário de Estado do Interior, Dr. Eugénio César Laborinho.

O Coordenador Residente das Nações em Angola, admitiu que “As alterações climáticas agravaram ainda mais o problema, prejudicando a capacidade de resistência dos países africanos e dos seus cidadãos. Mas, também planos de desenvolvimento insustentáveis aumentaram os riscos climáticos e de desastres: devido a urbanizações não planeadas, ao desenvolvimento de infraestruturas em áreas de risco ou à competição por recursos escassos. Os processos de desenvolvimento humano e de gestão de riscos estão, portanto, intimamente interligados”.

“Contarmos com defensores da redução do risco de desastres – como é o vosso caso – que trabalham de forma eficaz para melhorar o conhecimento empírico sobre os riscos que afectam os vossos países e para promover decisões políticas com conhecimento dos riscos é, portanto, essencial para consolidar os apoios, recursos e capacidades necessários para o desenvolvimento de nações e comunidades resilientes.”acrescentou Balladelli.

Com o encontro, pretende-se pretende disseminar informações sobre a gestão de riscos que é predominantemente uma preocupação de governação e um processo que é tanto político, económico, como técnico, bem como uma melhor articulação  em todas as áreas e sectores, bem como conscientizar as instituições públicas, as instituições privadas e a sociedade civil sobre a Agenda 2030 e seu significado para Angola. Para além disso, o encontro constitui uma plataforma para a partilha de experiencia de outros países no tocante a prevenção de riscos e desastres.

De realçar que em Angola o Ministério do Interior, Ministérios Sectoriais, Governos Provinciais, Sociedade Civil e Sector Privado têm trabalhado com apoio das Nações Unidas e em particular do PNUD, a União Europeia para integrar a resiliência a riscos e desastres nos Planos Estratégicos do país.

Salienta-se que o Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres foi aprovado em Março do ano passado como o instrumento que vem suceder ao Quadro de Acção de Hyogo. A sua principal mensagem é que a redução do risco de desastres tem que ser uma componente integrante do desenvolvimento para garantir resultados sustentáveis. O Quadro de Sendai rege-se por uma abordagem holística de modo a garantir que a redução do risco de desastres seja integrada em todas as políticas públicas, incluindo a saúde, a educação, os transportes, a agricultura, o investimento e o desenvolvimento. A Declaração de Yaoundé – aprovada na 7ª Reunião do Grupo de Trabalho para a África – também insta os Estados membros e as comunidades económicas regionais de África a alinharem as suas estratégias com o Quadro de Sendai, e apela aos ministros do planeamento, economia e finanças para que incorporem a redução do risco de desastres nas suas políticas.

Para mais informações leia o Discurso do Coordenador Residente das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladelli.